segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Descobrindo Marialva...


Como ficou prometido, vamos iniciar a nossa viagem, com destino a Marialva, uma Aldeia Histórica bem guardada no coração da região da Mêda, como um dos tesouros mais preciosos da região.


Tendo como ponto de partida a cidade de Lisboa, temos duas alternativas no trajecto a suguir:

1) Auto-estrada A1 (Lisboa-Coimbra); IP3 (Coimbra-Guarda) saída em Celorico da Beira para apanhar a E.N. 102/IP2 (direcção a Trancoso- Mêda); saída para Marialva pela E.N. 324.


2) Auto-estrada A1 até ligação da A23 ( direcção Beira interior/Guarda); apanhar a A25 (direcção a Viseu-Aveiro), saída em Celorico da Beira, que segue pela E.N.102/IP2 ( direcção a Trancoso-Mêda) saída para Marialva pela EN 324.

Informação a ter em conta:
- a segunda opção é mais económica (o acesso A23 é gratuito) :
- a duração dos percursos propostos têm o mesmo tempo aproximado: 4 horas ( respeitando a velocidade permitida)
- para planear a sua viagem com mais pormenores, consulte : http://www.viamichelin.fr/ ;

Ao longo dessa longa viagem , podemos aproveitar para visionar no mapa a localização de Marialva e da cidade de Mêda. Ambas localizam-se no norte de Portugal, a 70 km da cidade da Guarda , na zona de transição entre o Planalto Beirão e o Alto Douro. A cidade de Mêda é a sede de concelho, do qual faz parte Marialva, entre as restantes 15 freguesias, perfazendo uma área de 296 Km2. Como vizinhos tem os concelhos de Pinhel, Penedono, Trancoso e Vila Nova de Foz Côa.

Se pretende visitar esta região nesta época do ano ( Fevereiro), vai encontrar um inverno um pouco rigoroso, com a temperatura média de 5º graus c. , sendo por isso habitual a geada, chuva e por vezes neve. Enquanto que o Verão é seco e muito quente, com a temperatura média de 20º c.

Um dos pontos fortes e motivo de grande procura, por parte dos turistas, são os vinhos produzidos pela Adega Cooperativa de Mêda, pelo facto de o concelho fazer parte da Região demarcada do Douro, dos quais destacam-se os de Longroiva, de Fontelonga e do Poço-do-Canto.

O outro ponto de atracção são as Termas de Longroiva, cuja água mineral natural apresenta propriedades indicadas para tratamento de problemas reumáticos e respiratórios.

O concelho é muito rico em património histórico, recheado de grande História e de pequenas histórias, as quais fazem parte da cultura e identidade dos medenses. Património esse que tenho orgulho e farei gosto em partilhá-lo convosco, começando com o seu maior tesouro:



Marialva
Marialva é uma terra cheia de memórias. A prova disso é o seu próprio nome.

Começou por chamar-se de AVAROR ( "da alta colina"), com a chegada dos primeiros fundadores - Túndulos- no séc. VI a.c , onde ergueram o primeiro castro dos aravos, ainda antes da presença dos romanos.



Com o domínio romano, a povoação passou a denominar-se de "CIVITAS ARAVORUM"(cidade dos aravos). No tempo de Adriano e de Trajano recontruiram o castelo, fizeram estradas e a "Naumaquia", onde tinham os banhos públicos.



No tempo das invasões bárbaras, instalaram-se aí os visigodos, que passaram a chamá-la de "Monte de S.Justo ".



Segue-se o domínio dos mouros, que a batizaram de MALVA e deixaram várias histórias de encantamento.



Com a chegada do tempo da reconquista, D. Fernando Magno de Leão chamou-a, então, Marialva em 1063.



A partir daqui Marialva torna-se num dos pontos estratégicos de defesa do reinado de Portugal, durante a reconquista cristã.

Gostou de saber um pouco sobre a região?
Na próxima semana convido-o(a) a continuar esta viagem experimentando os sabores da região.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Como tudo começou...

Em 1995 iniciou-se um programa de intervenção na região da Beira Interior, em 10 Aldeias [Almeida, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha- a -Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Piódão e Sortelha ] distinguidas e classificadas como “Aldeias Históricas de Portugal” , dada “ a diversidade da sua matriz cultural, a riqueza do seu património e a força das suas vivências e tradições singulares (1) “.
Em 2003 juntaram-se mais duas, Trancoso e Belmonte, completando assim o conjunto de 12 aldeias. Essa distinção transformou-se numa mais-valia para a região, enquanto guardiãs de uma memória colectiva a valorizar e a promover , como parte integrante da identidade nacional.

Nesse Programa de Recuperação das Aldeias Históricas de Portugal (PRAHP), participaram várias entidades , das quais se destacam a antiga IPPAR ( Instituto Português do Património Arquitectónico), a Comissão de Coordenação da Região Centro(CCRC), as autarquias locais e algumas entidades privadas.
O referido programa tinha como principal objectivo travar problemas do interior ,como o envelhecimento, a desertificação populacional, a fraca capacidade produtiva e empreendedora da região, entre outros, que comprometiam o desenvolvimento da economia local e regional.

Neste contexto , considerou-se prioritária uma intervenção a vários níveis, a fim de criar condições para dinamizar o seu potencial turístico e histórico :
- Recuperação de património ( arranjos urbanísticos, fachadas)
- Investimentos públicos e privados (em infra-estruturas básicas, equipamentos turísticos)
- Promoção e Divulgação ( acções de promoção e de animação; publicações)
- Animação das economias locais ( incentivo para criação de microempresas na área de Hotelaria/Restauração/Turismo Rural) a fim de integrar e articular os recursos da região ;

O programa de recuperação das AHP tem sido desenvolvido em várias fases, das quais duas delas foram concluídas entre 1995-1999 e 2000-02, respectivamente. As intervenções realizadas “(…)mobilizou, a nível local, regional e central, entidades e iniciativas complementares, que lhe conferem uma dinâmica integrada e inovadora . O balanço de oito anos de intervenção reflecte as apostas efectuadas em domínios nucleares como a valorização do património e a melhoria de qualidade de vida das populações residentes, que representam 75% do investimento realizado.”[=35 milhões de euros de investimento]

Desse esforço conjunto , criou-se então a rede das Aldeias Históricas de Portugal , que se transformou numa referência na Beira Interior e ajudou a aumentar a auto -estima local, a combater o estigma de isolamento e dinamizou o sector turístico da região.

Terminado o programa em 2002, as Aldeias Históricas de Portugal foram entregues à gestão de cada Município, onde se integram .
A fim de retomar a cooperação entre as entidades que participaram no programa de recuperação( Municípios e entidades privadas locais), e rentabilizar a potencialidade da Rede das Aldeias Históricas de Portugal, foi criada em 2006 a Associação de Desenvolvimento Turístico das Aldeias Históricas de Portugal. Em 2008 decorreu a 1ª Assembleia Geral a fim de definir o organigrama da associação, resultando a nomeação do Presidente da Associação o Senhor Eng.º Ricardo Alves, (Presidente da Câmara de Arganil, que gere a Aldeia Histórica de Piódão); fazendo também parte da direcção o Presidente da Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo( gere a aldeia de Castelo Rodrigo), na qualidade de Vice-presidente da Associação, assim como integram na direcção da mesma os Municípios de Idanha-a-Nova e de Belmonte; a Freguesia de Sortelha, as “Casas de Coro”, de Marialva, e a empresa Y Travel .

Para retomar um novo ciclo ao programa de Recuperação da Rede das Aldeias Históricas de Portugal , em Janeiro de 2009 a referida associação efectuou uma candidatura no Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos (PROVERE), (inserido nos apoios comunitários do Quadro de Referência Estratégico Nacional -QREN) em conjunto com empresas públicas e privadas.

Ficaremos, então a aguardar por este novo ciclo que está prestes a começar, com novas ideias, muita vontade para inovar , encarando o legado histórico como uma oportunidade para dar largos passos para o Futuro.

Até lá, proponho fazer uma viagem às 12 Belíssimas Aldeias Históricas de Portugal.

Programa da visita:
- ponto de encontro: Blog “Descubra as Aldeias Históricas de Portugal”
- Primeira paragem: Marialva, dia 9 de Fevereiro,
- Hora de chegada: 18h. da tarde

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Notas Bibliográficas:
(1) Dr. João Vasco Ribeiro, Presidente da Comissão de Coordenação da Região Centro em 2002, in “Aldeias históricas de Portugal, Um património com Futuro”, edição da Comissão de Coordenação da Região Centro, Coimbra, Outubro de 2002.
(2) Dra. Maria Isabel Boura, Coordenadora das Acções Inovadoras de Dinamização das Aldeias, em 2002 in idem anterior.

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