segunda-feira, 30 de março de 2009

Depois da visita …um desabafo…

Confesso que a visita ao Mosteiro de Santa Maria de Aguiar superou a minha expectativa, enquanto turista, professora de História e habitante da região , pois desconhecia por completo a sua existência, apesar de ser da região.

Tal como este Mosteiro , por estas terras do Portugal mais profundo existe imensa coisa para conhecer e explorar, mas que infelizmente são pouco divulgadas e desvalorizadas.

Este mosteiro é a prova disso e leva-me a acreditar e apostar ainda mais na importância da divulgação das Aldeias Históricas de Portugal , para que todos descubram o verdadeiro tesouro que existe dentro delas.

É essa paixão de “mostrar” os seus tesouros, que me leva a falar sobre elas, todas as segundas-feiras.

Mas também sinto-me com a obrigação para alertar a todos para alguns aspectos menos bons que constatei nesta visita:

Actualmente, parte do mosteiro encontra-se em ruínas.
Parte dessas ruínas observámos na sala do capítulo , bem como no andar de cima, onde se encontravam os dormitórios, com o telhado a ruir, e no claustro .

O claustro foi totalmente destruído já em pleno século XX, segundo contam para realizar uma tourada…

É triste o uso que estão a dar a um património nacional…


Mas , felizmente, para breve a sala do capítulo irá sofrer obras por iniciativa privada, pois consta que foi comprada ao Estado, para ser transformada numa sala de festas da actual Hospedaria do Convento , uma parte componente do convento.

Quem sabe o mosteiro passe a ser olhado com outros olhos !

Isso é apenas um pequeno desabafo , que queria partilhar com vocês.

Um dos mosteiros mais antigos de Portugal:


Deixamos a aldeia de Castelo Rodrigo para conhecer o famoso Mosteiro de Santa Maria de Aguiar ,situada sensivelmente a dois km da aldeia.

Foi fácil chegar ao destino e à porta do convento encontrámos um senhor, que nos fez a visita guiada, contando histórias sobre o Mosteiro e a região envolvente.

Ao entrarmos na Igreja do convento, ficámos maravilhados pela sua arquitectura gótica e manuelina, dos seus esplêndidos pilares, arcos, ogivas e capitéis que compõem as três naves, cuja magnitude é comparável aos conhecidos Mosteiros de Alcobaça e da Batalha.
À medida que íamos observando, íamos ouvindo a grandiosa história do Mosteiro.

Sendo um monumento do século XII, “é um dos mais antigos mosteiros cirtercienses de Portugal e, por ventura um dos mais representativos do protagonismo dos frades bernardos no povoamento e colonização das terras recuperadas aos mouros na reconquista cristã. De configuração sóbria e austera, é um dos mais acabados exemplos do espírito monacal de S. Bernardo e um raro testemunho da primitiva arquitectura de Cister em Portugal.(2)”

Segundo Júlio Borges(3), “(…) é ainda uma incógnita a data certa da fundação do Convento. Alguns historiadores defendem que o seu fundador foi Fernando II, rei de Leão, em 1165, outros alegam que tal se deveu a D. Afonso Henriques, pela carta de couto de 1174”.

O que é certo é que os monges beneditos resistiram e mantiveram-se fiéis ao rei e às populações, mesmo em tempos de guerra desde os tempos da reconquista, as invasões francesas, às guerras liberais, das quais sofreram destruições e roubos. Conseguiram acolher peregrinos de Santiago, que vinham confirmar a devoção a Nossa Senhora de Rodamacor e à imagem de Santiago “mata-mouros”.

A missão dos beneditos acabou no tempo da rainha D.Maria II, que por obra do “mata-frades”, o Marquês de Pombal, foram obrigados a abandonar o Mosteiro e foi encerrado.
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(3) in : Borges, Júlio António, "Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo: A natureza,o Homem e a arte- roteiro turístico cultural ", ed. Município de Figueira de Castelo Rodrigo, 2007.

A “ Cisterna” : a Casa de Campo e a Antiga Sinagoga




Cá estamos de novo, em Castelo Rodrigo, para vos apresentar a Casa de Campo “ A Cisterna”, cá da aldeia. Ficámos deslumbrados com a simpatia com que fomos recebidos pela avó dos proprietários, que nos abriu a porta da casa e mostrou-nos o seu interior.. Contou-nos que os seus netos são dois biólogos, amantes da Natureza, em especial por pássaros, que resolveram criar este espaço para receber hóspedes.


O pouco tempo que estivemos, deu-nos vontade para repousar no jardim privado, sentir a natureza, num ambiente requintado, confortável, com um olhar para o passado e para as vivências do presente da aldeia.


Chama-se “cisterna”pelo facto de se situar junto à antiga cisterna, cuja arquitectura das suas entradas chamam atenção, por quem lá passa : uma de estilo gótico ( arcos quebrados, bastante usado na Idade Média) e outra com estilo amouriscado, cujo formato faz lembrar uma ferradura, que marca a presença muçulmana na aldeia.
Terá sido construída no século XIII e reaproveitada pelos judeus a partir do século XV, quando foram expulsos de Castela e se refugiaram em Portugal. Segundo Dr. Adriano Vasco Rodrigues, a cisterna funcionaria como “ Mikwé, ou banho litúrgico dos judeus, destinado aos rituais do período menstrual das mulheres, ou aos banhos depois dos partos”, num espaço coberto( 1).
Trata-se de um importante marco dos judeus, que se fixaram na aldeia praticando os seus rituais , e desenvolvendo actividades como o comércio, a agricultura e a agiotagem..
Mas a cisterna viu os seus dias contados, no tempo de D. Manuel, que obrigou os judeus a convertem-se, se quisessem continuar em Portugal, em cristãos-novos , acabando por ser destruída e transformada em fonte pública, a céu aberto.
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(1) in: Adriano Vasco Rodrigues, “A Sinagoga e a Mikwéh de Castelo Rodrigo” Revista Altitude, Ano LII, nº 1-3ª série, 1993).

Novo site das Aldeias Históricas de Portugal

28.MAR.2009 - 23:24
Aldeias Históricas de Portugal ganham site

"As 12 Aldeias Históricas de Portugal, que tiveram 355.000 visitantes em 2008, estrearam há dias o site oficial, em aldeiashistoricasdeportugal.com. É possível ver a rede, a História, o mapa, a Filosofia, os projectos, o fórum, os eventos, os percursos (a carro, a pé, de bicicleta), a oferta turística (alojamentos, espaços culturais, restauração) e os pacotes - por exemplo, a A2Z Adventures propõe 9 dias de caminhada (quatro horas por dia) desde 1.090 euros/pessoa, tudo incluído.


Através do Programa das Aldeias Históricas, o Governo reabilita desde 1991 núcleos urbanos anteriores à fundação da nacionalidade nos concelhos de Coimbra, Castelo Branco e Guarda. As povoações destacam-se por estar em zonas altas e pela arquitectura militar e de defesa, com muralhas e castelo.


Este programa da região Centro "valoriza a paisagem, os lugares, o património construído e o referencial das culturas, tradições e actividades, envolvendo múltiplos protagonistas, em dinâmica local de desenvolvimento", definiu a coordenadora Isabel Boura.

O plano soma as aldeias de Almeida (75.173 visitas em 2008), Belmonte (35.811), Castelo Mendo, Castelo Novo (17.962), Castelo Rodrigo (45.034), Idanha-a-Velha (13.696), Linhares da Beira (11.691), Marialva (19.973), Monsanto (23.790), Piódão (14.565), Sortelha (58.993) e Trancoso (38.416).

Um quarto dos turistas vindos no ano passado eram estrangeiros, de 21 países, como Brasil, Canadá, Rússia, Austrália, Israel e Japão".

Por NP Alma de Viajante
Ecoturismo, Pedestrianismo, Portugal

segunda-feira, 23 de março de 2009

Primeira paragem ...


Depois de um passeio relaxante, pelas ruas de Castelo Rodrigo, nada melhor do que um bom prato à mesa para saborear, no restaurante “As Piscinas”, que se encontra integrado no complexo de lazer de Castelo Rodrigo.


Com vista esplêndida para a aldeia e num amplo salão, preparado para receber excursões que por cá passem, serviram-nos medalhões de carne de porco grelhado, acompanhado com batata frita e salada, um copo de vinho famoso na região, sobremesa e café: tudo isso por apenas 7 € por pessoa.


Para quem gosta de fazer piqueniques, junto ao restaurante existem mesas, onde pode comodamente sentar-se, na primeira fila, para almoçar e desfrutar da natureza e da belíssima vista para a aldeia.


Depois de um almoço de reis, decidimos regressar à aldeia novamente para a rever, com olho de um turista exigente e curioso pelas grandes histórias intrigantes que aconteceram aí num passado demasiado longínquo, marcadas pelas pedras xistosas e simultaneamente graníticas da aldeia…
Histórias curiosas, marcadas por vicissitudes várias, como poderão conferir nos posts que se seguem.

O Castigo de Mestre de Avis:

“Segundo a tradição, o alcaide de Castelo Rodrigo terá recusado a entrada, na fortaleza, ao Mestre de Avis, futuro D. João I, quando por aqui passou, vindo de Chaves. Como represália, o monarca ordenou que o escudo real fosse gravado de cabeça para baixo. Este brasão estava esculpido na Torre de Menagem do castelo, hoje em ruínas.” Mas ainda encontramos o referido brasão no pátio do que resta do palácio.

Há outro brasão à entrada do castelo também foi alvo da mesma represália, uma vez que as suas armas foram intencionalmente “picadas” , explicando a pouca visibilidade dos contornos da mesma.

Após a restauração...um incêndio

Chegada a notícia da independência: a população, que tinha sentido na pele o domínio filipino durante os longos 60 anos, “ num desabrochar de raiva incontida pela opressão, invadiu o palácio de Cristóvão Moura, símbolo da cooperação com a coroa espanhola, e destruiu-o. As suas ruínas quedam silenciosas, envergonhadas, junto das nobres muralhas da vila”.
De facto o palácio chegou aos nossos tempos, em ruínas e nunca mais foi restaurada, como podemos verificar nas fotografias que tirei.





Para além de ser incendiado, o palácio foi saqueado pelos populares, chegando ao ponto de retirar pedras para construírem as suas casas, em redor do palácio: encontramos provas, como esta janela manuelina, possivelmente do palácio, que foi colocada numa casa de simples camponeses:

Uma batalha e uma lenda:

Inconformados, os castelhanos tentaram reaver terras de Riba Côa, incluindo Castelo Rodrigo no Verão de 1664, comandados pelo Duque de Ossuna. Travou-se uma das mais importantes batalhas da Guerra da Restauração nos campos de Salgadela, na freguesia de Mata Lobos a 7 de Julho de 1664.

Saíram vencedores os portugueses numa batalha com os Espanhóis. Segundo reza a lenda a Santa de Aguiar teria dado ajuda às tropas portuguesas nas batalhas que travaram com os Castelhanos, ao receber no manto as balas disparadas pelos espanhóis, evitando assim que os portugueses fossem atingidos. “Mira que anda Santa Capeluda a aparar las balas com um azafáte.”, teria sido a expressão usada pelos Castelhanos durante a batalha.

Foi uma batalha sangrenta em que os portugueses não sofreram um único arranhão, ao contrário dos castelhanos.

Ao tomar conhecimento da vitória, o rei D. Afonso VI manda rezar” TE Deum” em Lisboa e mandou levantar um padrão comemorativo nos campos onde se deu a batalha.

*****

Depois de tanta agitação, dá vontade de descansar e continuar a sentir o ambiente histórico, pernoitando na confortável casa de campo "a Cisterna", que se encontra dentro da aldeia de Castelo Rodrigo.

A próxima vez que nos encontrarmos, conto-vos , com mais pormenores, sobre essa casa de campo e vaão descobrir o Mosteiro mais antigo de Portugal.

Até lá!

Um cheirinho de Castelo Rodrigo...

video

segunda-feira, 16 de março de 2009

Para dar resposta à sondagem...

imagem retirada da Intenet



... relativamente à primeira questão ( Quantas Aldeias Históricas de Portugal são?), 83% responderam que seriam 12 aldeias, enquanto que 16% afirma serem 24 aldeias... e a resposta correcta são 12 aldeias, nomeadamente:



  • Almeida

  • Belmonte

  • Castelo Novo

  • Castelo Mendo

  • Castelo Rodrigo

  • Idanha- a -Velha

  • Linhares da Beira

  • Marialva

  • Monsanto

  • Piódão

  • Sortelha

  • Trancoso


Em relaçao à segunda questão (As Aldeias H. de Portugal pertencem a que distritos?) : 11% diz que pertencem ao distrito de Braga ; 17 % de Viseu; 35% de Coimbra; 64% de Castelo Branco e 82% de Guarda .


De facto acertaram quando dizem que as aldeias pertencem a Coimbra, como é o caso de Piódão, de Castelo Branco (ex: Idanha- a-Velha, Monsanto, Castelo Novo, Belmonte) e da Guarda ( Trancoso, Sortelha, Marialva, Linhares da Beira, Casrelo Rodrigo, Castelo Mendo e Almeida).



Quero agradecer a todos os leitores que tiveram a amabilidade de participar nesta mini-sondagem.

Desafio-os agora a participar numa nova mini -sondagem no espaço habitual deste blog.

Obrigada pela visita, pela leitura e pela participação!

Testemunhos de uma viajante...

Pelos caminhos de Viseu, encontrámos uma jovem jornalista , desejosa por conhecer os recantos da aldeia de Castelo Rodrigo na nossa companhia.

Aqui fica então registado o seu testemunho de uma viagem realizada na terça feira passada , dia 10 de Março,de 2009.

"São 8h00 da manhã, o sol brilha e o dia convida ao passeio.
Destino: Castelo Rodrigo, aldeia situada no distrito da Guarda.
Apanhamos a A25 em direcção à Guarda, saímos em Pinhel e começa a aventura, numa viagem inesquecível.

Por entre as paisagens deslumbrantes podemos apreciar o que de melhor temos em Portugal, a natureza, o património histórico - cultural e a gastronomia.
Por entre a paisagem verde salpicada pelo branco das amendoeiras em flor, que conferem à paisagem algo único e magnífico, avistamos o rio Côa.

Subimos em direcção à Serra da Marofa, magnifico monte onde se pode contemplar a aldeia de Castelo Rodrigo, todo o concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, assim como a vastidão de planícies, elevadas cordilheiras, aldeias dispersas e terras de cultivo.

Aí encontramos o Santuário da Nossa Senhora de Fátima, um conjunto de capelinhas evocativas dos Mistérios do Rosário esculpidas em pedra xistosa, característica da região, e a imagem escultória de Cristo Rei que, erguendo-se de braços abertos, como que acolhe neles toda a multidão de terras e gentes.

Descemos em direcção a Castelo Rodrigo aldeia histórica onde magníficos monumentos nos fazem recuar no tempo.

Entrámos na muralha circular onde os Torreões semi-circulares se encontram erguidos. Num dos torreões um relógio de pesos conta o tempo.

Estamos na rua do Relógio e caminhamos em direcção ao Paço do Marquês de Castelo Rodrigo (Palácio de Cristóvão de Moura). Os imponentes portões de ferro abrem-se e recuamos no tempo, através de uma breve explicação dada pela guia turística:

O primitivo castelo remonta ao séc. XI e em 1209, recebe carta de foral por D. Afonso IX de Leão.
Em 1296, D. Dinis ordena a reedificação da fortaleza e muralha.
Oficialmente e por via do Tratado de Alcanises, passa a integrar o território português, em 1297, integrada nas chamadas terras de Riba-Côa.
Durante a crise de 1383-85, na sequência do facto do alcaide-mor ter jurado fidelidade a D. Beatriz e ter recusado a entrada do Mestre de Avis, o rei ordenou que o escudo e as armas de Portugal fossem representados em posição invertida no seu brasão de armas. Brasão que se encontra pousado no chão, no interior do palácio.
Em 1590, durante o domínio espanhol, D. Filipe I eleva a Vila a condado e nomeia para o título D. Cristóvão de Moura que, no lugar da antiga alcáçova muçulmana, manda erigir um palácio residencial.
Em 1640, com a Restauração da independência, este palácio é incendiado por iniciativa popular, restando as ruínas no alto do monte, junto ao castelo.

Depois da breve explicação, observamos , junto à porta da traição (são três: Sol, Alverca e Traição) dizem que houve uma ligação até ao túnel, que levanta algumas dúvidas quanto à sua utilidade e... veracidade: há quem defenda que fazia a ligação ao Convento de Santa Maria de Aguiar, outros defendem que servia de reservatório de água. Como não há registos quanto à sua utilidade fica no imaginário de cada um.


Continuamos a visita por Castelo Rodrigo, mas fora das muralhas do Palácio, onde podemos passear e apreciar as casas reconstruídas e as ruas repavimentadas, que mantêm o traçado original e o cariz histórico.


Pelo caminho encontramos a Igreja Matriz de Castelo Rodrigo, de traça românica, que tem como padroeira nossa Senhora de Rocamador. Igreja esta edificada no século XIII por uma confraria de frades hospitaleiros, cuja função principal seria a de apoiar os romeiros que se dirigiam para Santiago de Compostela. No interior da Igreja Matriz encontra-se a imagem de Santiago Matamouros pisando a figura dum guerreiro mouro.

Mais à esquerda da Igreja podemos vislumbrar o Pelourinho de fuste octogonal com cerca de 8 metros e assente em 5 degraus, que confere a importância que a vila teve em tempos.
Descemos pela Rua da Sinagoga e ao fundo da rua encontramos a Cisterna Medieval que comprova a presença árabe na vila: é composta por duas portas, uma com estilo gótico e a outra de traçado Mourisco ( com o seu arco em ferradura).

Na rua da Cadeia encontram-se traços de grande relevo para a memória da aldeia, como a casa da Cadeia onde ainda é possível visualizar os orifícios onde eram cravadas as trancas na porta; uma casa com janela de estilo manuelino e uma outra com inscrições árabes".

Escrito por Sandra Carvalho

São pequenas ruas que nos convidam a mergulhar num passado, tão longínquo, e ao mesmo tempo tão próximo de nós...o sol de pleno inverno teima em aquecer....o tempo parece passar devagar...mas está a chegar o momento para uma primeira paragem e desfrutar de um belo almoço no único restaurante com vista para a esplenderosa aldeia..

Adivinhe que restaurante será...

Continuaremos a nossa viagem para a próxima semana.

Até lá!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Com um pé em Marialva...e outro em Castelo Rodrigo...








Antes de partirmos, rumo a uma nova aldeia, aqui fica um vídeo sobre Castelo de Marialva... e a vontade de lá voltar...sempre que tiver saudades daquele enigmático lugar...

E agora é tempo de voltarmos à estrada a caminho de Castelo Rodrigo, em terras entre o Douro e a Beira Alta, onde começa o "Riba Côa" e define fronteira com Espanha.

Para lá chegar, temos duas alternativas:



percurso 1 Marialva-Castelo Rodrigo(clique aqui):

  • ponto de partida Marialva entra-se na Ip2/EN 102 até Vila Nova de Foz Côa;

  • segue-se em direcção a Castelo Melhor pela estrada nº222;

  • cortando para Almendra pela estrada nº332 em direcção a Figueira Castelo Rodrigo até encontrar lá no alto do monte a Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo.

    Nota: São 60 km, com a duração de uma hora ( de carro);

percurso 2 : Lisboa- Castelo Rodrigo ( clique aqui):

  • ponto de partida : Lisboa , entra-se na A1 (Lisboa-Porto)

  • saída Abrantes -Torres-Novas para apanhar a A23 (direcção à Guarda)

  • saída em direcção a Sabugal/Pinhel, pela A25/IP5,

  • em seguida toma-se a estrada nacional 324 em direcção a Almeida;

  • segue-se a estrada nacional nº 340 e depois a estrada nº 332 quando passar em Arabalda do Poço, em direcção a Castelo Rodrigo.

    Nota:distância do percurso : 376 km; duração cerca de 4 horas; custos de portagem : 2,80€




E cá estamos, na linda aldeia de Castelo Rodrigo!










"Situada no cume de um monte de 820 metros de altitude, a nascente da serra da Marofa e a 5 km a sudoeste de Figueira de Castelo Rodrigo. É deslumbrante a panorâmica que se admira do local, abrangendo terras de Espanha, Trás-os-Montes, Douro e Beiras."(1)

Antes de conhecermos a aldeia, proponho fazer uma breve viagem pela sua História:

" A fundação de Castelo Rodrigo remontará ao tempo dos Túrdulos que, cinco séculos antes do nascimento de Cristo, terão habitado a região. Posteriormente, Romanos e árabes foram outros povos invasores que se asenhorearam dos férteis terrenos(...)(2)" em volta.

Mas na realidade, quem deu o nome e fundou a actual aldeia foi o conde Rodrigo Gonzáles Girón do reino de Leão, no início do século XII, que depois da luta contra os mouros construiu uma muralha no alto do monte sobre um rochedo. Daí o nome de Castelo Rodrigo



Por volta de 1209 Castelo Rodrigo tornou-se numa povoação fortificada , como parte integrante da linha defensiva do reino leonês da margem direita do rio côa ( oposta à linha defensiva portuguesa da margem esquerda) onde tambémfaziam parte Castelo Melhor, Almeida, Castelo Bom e Sabugal .

A Aldeia foi disputada pelos reis cristãos ( de Leão e de Portugal) e pelos mouros. O interesse pela terra devia-se , não só pelos terrenos bastante férteis, mas também pelo facto de ser um importante ponto estratégico para a defesa das suas terras recém-reconquistada.

Depois de passar por várias mãos, Castelo Rodrigo foi a última terra de riba-côa que se tornou definitivamente portuguesa com o Tratado de Alcanices, em 1297 no reinado de D. Dinis.


Mas os tempos de paz foram pouco duradoiros por estas terras...e vamos procurar descobrir porquê, e saber mais sobre esta magnífica terra na próxima semana...

Até lá!

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nota:Bibiografia:

  • Borges, Júlio António, "A natureza, o homem e a arte- roteiro turistico cultural", Município de Figueira de Castelo Rodrigo, 2000.
  • da Cruz ,Manuel Braga, "Castelo Rodrigo e o convento de Stª Maria Aguiar", Junho 2006;

segunda-feira, 2 de março de 2009

Depois de uma excelente estadia nas Casas do Coro e de um café da manhã de chorar por mais, está na hora de retomar a última etapa da nossa visita a esta aldeia de Marialva, como Saramago disse: «o lugar bruxo onde o passado nos diz “Aqui estou” e fica a olhar-nos, em silêncio à espera ».


Aqui estamos nós, então no alto da Cidadela em ruínas (onde ninguém mora desde princípios do séc. XIX), dentro das muralhas do castelo cujo formato de um barco convida-nos a “navegar” para Sudoeste, avistando num horizonte de perder de vista uma imensidão de terras recortadas por vales e pela serra da Marofa.


Este castelo tem três portas: Porta do Anjo da Guarda ou S. Miguel, Porta do Monte ou de Santa Maria e Porta da Traição.

Representou um papel importante ao longo de vários momentos decisivos da História de Portugal, uma vez que fazia parte da linha defensiva de castelos estrategicamente implantados ao longo da fronteira com a actual Espanha.


Para além disso, Marialva ganhou grande importância na região quando D. Dinis criou uma feira mensal em 1286. Realizava-se todos os dias 15 do Mês, onde os feirantes gozavam paz (não podiam ser incomodados, seja por dívidas ou até por crimes cometidos). Teve impacto não só ao nível económico, mas também a nível cultural, como ponto de encontro para transmissão de conhecimentos entre populações oriundas de várias regiões.


E agora que estamos na zona mais elevada das muralhas, encontramos a Igreja Matriz de Santiago, a Capela do Senhor dos Passos e a Torre de Menagem.



Segundo a tradição, foi nesta torre que viveu a princesa Maria Alva, que terá dado origem ao nome da aldeia e à famosa lenda da Dama dos pés de cabra.

Lenda da Dama dos pés de Cabra

Conta-se que uma princesa de pele “alva” e de cabelos cor de oiro nunca saía da torre, mas aparecia várias vezes à janela. Muitos eram os cavaleiros que ficavam diante da torre, à espera que ela aparecesse à dita janela, oferecendo finos e exóticos presentes para conquistar o seu coração. Maria Alva não se deixava impressionar com os presentes, devolvia tudo no dia seguinte e aparecia à janela triste, acenando ao cavaleiro desiludido.


Um dia a princesa disse: “- Caso com quem me oferecer um par de sapatos à medida do meu pé”.

Com essa declaração, foram muitos os cavaleiros em busca do melhor sapateiro para encomendar sapatos de variados tamanhos, formatos e cores. Houve mesmo um sapateiro famoso chamado Ramiro, que se divertia a espicaçar os seus clientes, dizendo:
“- Se ela faz tanto mistério à conta dos pés é porque os tem bem pequeninos. Encomende o senhor uns sapatos de boneca e vai ver que acerta”. Mal o cliente saía, a conversa mudava e ao seguinte dizia exactamente o contrário.
À conta disso, este sapateiro ganhou muito dinheiro. Mas o que é certo, é que ninguém acertava e os sapatos, depois de experimentados, eram atirados pela janela abaixo, o que desmoralizava qualquer um…


Mas houve um príncipe muito esperto, que lembrou-se de arranjar uma maneira de ter as medidas dos pés da dita dama: pagou um criado para espalhar farinha junto à cama da princesa. Na manhã seguinte, quando a princesa se levantou, deixou uma pegada no chão.

Para o espanto do criado, quando ia tirar o molde do pé viu que, não se tratava de um pé humano, mas sim de pés de cabra. Este quando contou ao príncipe, aconselhou-o a esquecer essa princesa, que mais parecia “obra do diabo”. Prometeu-lhe que não contava a ninguém, com pena do príncipe. Este não lhe respondeu, pagou-lhe em dobro o que lhe tinha prometido pelos seus serviços e levou consigo o molde do pé.

Secretamente, encomendou os sapatos a Ramiro, de acordo com o molde em troca de uma arca cheia de moedas de ouro e de prata. Ainda que hesitante, depois de se benzer três vezes, pedir protecção a Nossa Senhora dos Remédios e de se justificar com o Santiago, fez os sapatos em três dias.

O príncipe, depois de levantar a encomenda, dirigiu-se à torre, curioso com a reacção da princesa. Minutos depois da entrega da prenda, ouviu-se um grito medonho e começaram a sair faíscas e fumo pela janela. Toda a gente fugiu apavorada da torre, pensando tratar-se de um incêndio, menos o príncipe, que não arredou o pé dali. Foi o único que não arredou pé dali e ficou á espera par a ver a dama, não da janela, mas da porta da torre, feliz, caminhando descalça e em bicos de pés delicados. O príncipe chegou junto dela e abraçaram-se.

A Dama, feliz agradeceu-lhe por ter conseguido quebrar o encanto. Contou que uma bruxa malvada lhe tinha lançado um encanto: enclausurou-a na torre com pés de cabra e só poderia ser quebrado se recebesse de alguém de presente um par de sapatos à medida.

O príncipe casou-se com a princesa, fez uma peregrinação a Santiago de Compostela e mandou construir uma casa de pedra para viver com a família.

Passeando pelas ruas da antiga Vila de Marialva

Depois dessa história de amor emocionante, convido-o a deixar a cidadela para conhecer, fora das muralhas, a antiga vila onde vamos encontrar casas tradicionais da Beira, quinhentistas, muito bem restauradas e grande parte delas habitadas.



Uma casa tipicamente beirã:com a loja, para guardar os animais, o balcão e o andar de cima para a habitação.















Uma antiga capela...transformada em habitação.





















Casa das Freiras











Igreja de S. Pedro : balbaquino exterior (de influência filipina) e o campanário, onde se encontram enterradas sepulturas antropomorficas.




Depois de espreitarmos várias ruas da antiga vila de Marialva, vamos conhecer uma casa senhorial (à esquerda), como marco importante da presença dos famosos Marqueses de Marialva.

Por falar de condes e marqueses de Marialva...

Em Marialva começou por haver um condado, criado em 1441, na pessoa de Vasco Fernandes Coutinho. Foi Marechal do reino com acção militar sobre as terras de fronteira na região de Riba Côa, mas não deixou boas lembranças pela região… senão criar alguns conflitos, um pouco violentos por terras de Pinhel…



Após a extinção do título e da família Coutinho, é instituído o marquesado no séc. XVII a D. António Luís da Cunha ou de Menezes (primeiro marquês de Marialva e terceiro conde de Cantanhede).

Armas dos Marqueses de Marialva (retirado da internet)


D. António Luís de Menezes foi um dos elementos mais activos aquando a Restauração da Independência (1640), participou na defesa da Beira, na qualidade de Mestre-campo da infantaria, para além de outras batalhas contra os Castelhanos, sendo distinguido na batalha do Ameixial e na libertação de Évora, em 1663.
Após o falecimento do 6º Marquês de Marialva a sucessão terminou, sendo a casa de Marialva incorporada na dos Duques de Lafões.



O nome dos Marqueses de Marialva liga-se ao toureiro, mas na realidade, em Marialva nunca houve a tradição da tourada. Isso explica-se pelo facto da família ter origens do Alentejo e Ribatejo, para além de serem também senhores de Cantanhede.
Na realidade, a família dos Marqueses de Marialva só vieram buscar o título e o rendimento, por estas terras…



D. António Luís de Menezes, 1º Marquês de Marialva,

(foto retirada da internet)



Depois desta pequena lição de história, nada melhor do que olhar para Marialva, na sua versão mais actual, que se encontra na chamada Devesa, onde grande parte da população reside actualmente:



E por hoje, já viajámos imenso!
Proponho ficarmos por aqui, para seguirmos (na próxima segunda-feira) rumo para uma nova aldeia, a norte de Marialva…
Convido-o a espreitar… para adivinhar a aldeia que vamos conhecer!
Até à próxima segunda-feira!